O que é Lipedema?
O que é Lipedema?
O lipedema é uma doença progressiva do tecido adiposo que afeta quase exclusivamente mulheres e que se caracteriza por um acúmulo de gordura patológica predominantemente nos braços e pernas. É comum perguntar lipedema o que é ou o que é lipedema, já que é uma doença ainda pouco conhecida em Portugal e no resto do mundo. A palavra lipedema é utilizada tanto em português como em inglês, embora em alguns países da Europa esta doença receba o nome de lipoedema, lipodem ou lipöedema.
Recentemente, o Dr. Burgos de la Obra apareceu na comunicação social explicando o que é lipedema?, contribuindo de forma crucial para a divulgação desta patologia.

O Dr. Burgos de la Obra explica lipedema o que é e como deve ser tratado.
Qual é a sua origem e causas? Porque aparece o lipedema ou lipodema?
A origem desta entidade não está totalmente esclarecida. Está comprovado que existe um componente genético, assim como um componente hormonal, dado que frequentemente começa ou se intensifica coincidindo com alterações nos níveis hormonais (puberdade, gravidez, menopausa, toma da pílula anticoncecional…).
Pode fazer dieta ou exercício para combatê-lo?
Caracteristicamente, as células adiposas afetadas pelo lipedema têm uma resposta muito limitada às dietas e à prática de exercício físico, mesmo que seja intenso. A paciente praticamente “vive de dieta” e realizou numerosos tipos de exercício físico com mínima resposta na perda de volume, o que conduz frequentemente a uma sensação de frustração e desespero.
Quais são os sintomas do lipedema?
Para além do acúmulo de gordura desproporcional nas pernas e braços, o lipedema manifesta-se através de um conjunto de sinais característicos. Reconhecê-los precocemente é fundamental para travar a progressão da doença:
Acumulação simétrica de gordura
Acumulação de gordura nas pernas, ancas e glúteos e, em até 30% dos casos, também nos braços, com desproporção clara em relação ao tronco.
Dor nos membros afetados
Pode estar presente em repouso e intensificar-se ao caminhar ou durante o exercício físico.
Sensibilidade ao toque
Existe dor à palpação, especialmente na parte interna das pernas. Por vezes, mesmo uma roupa mais justa causa incómodo.
Peso e cansaço nas pernas
É habitual existir uma sensação contínua de peso, pressão e cansaço nos membros afetados.
Hematomas frequentes
Tendência para formar hematomas — nódoas negras — sem traumatismo recordado, devido à fragilidade capilar.
Textura irregular e nódulos
A pele pode apresentar um aspeto semelhante ao de «celulite», com pequenos nódulos palpáveis sob a superfície.
Inchaço ao longo do dia
O inchaço tende a agravar-se com o passar das horas, sobretudo após longos períodos em pé ou sentada.
Pés e mãos não afetados
Os pés e as mãos permanecem poupados, criando um contraste visível com os membros — um sinal muito útil para identificar a doença.
Se reconhece vários destes sintomas, o passo seguinte é uma consulta de lipedema com um especialista que confirme o diagnóstico.
Tipos de lipedema
O lipedema classifica-se em cinco tipos, consoante a zona do corpo onde a gordura se acumula. Uma mesma pessoa pode apresentar mais do que um tipo em simultâneo:
Tipo I
Ancas, glúteos e zona pélvica.
Tipo II
Dos glúteos até aos joelhos.
Tipo III
Dos glúteos até aos tornozelos.
Tipo IV
Braços.
Tipo V
Parte inferior das pernas, dos joelhos aos tornozelos.
Em todos os tipos, os pés e as mãos permanecem poupados, o que ajuda a distinguir o lipedema de outras causas de inchaço.
Estágios do lipedema
O lipedema é uma doença progressiva: sem tratamento adequado, evolui ao longo do tempo. Distinguem-se quatro estágios, definidos pela quantidade de gordura acumulada, pela alteração da pele e pela intensidade dos sintomas.

Estágio I
A superfície da pele é lisa e regular. A dor é ligeira e os hematomas pouco frequentes. O inchaço aumenta ao longo do dia e melhora com o repouso e a elevação dos membros.
É a fase que melhor responde ao tratamento.

Estágio II
A pele torna-se irregular, com aspeto de «celulite» e pequenos sulcos. A dor e os hematomas são mais frequentes. O edema melhora apenas parcialmente com o repouso.
Ainda responde bem ao tratamento.

Estágio III
O acúmulo de gordura é maior e o tecido conjuntivo está mais endurecido. Surgem deformidades, com grandes áreas de gordura que se sobrepõem.
A dor é mais intensa e a mobilidade começa a ficar comprometida.

Estágio IV
É o estágio mais avançado. Ao acúmulo de gordura associa-se a retenção de líquidos, podendo surgir linfedema, também denominado lipolinfedema.
Os sintomas estão todos intensificados, com impacto significativo na qualidade de vida.
Importante: o tratamento não deve esperar pelos estágios avançados. Quanto mais precoce a intervenção, melhor o resultado e menor o risco de progressão.
Como se manifesta o lipedema em cada zona
Lipedema nas pernas
As pernas são a localização mais frequente. A gordura acumula-se de forma desproporcional desde as coxas até aos tornozelos, com contorno irregular, sensibilidade e maior tendência para hematomas.
Lipedema nas coxas e ancas
O acúmulo nas coxas e ancas confere a típica desproporção entre a parte inferior do corpo e o tronco. É comum a chamada forma em «culote».
Lipedema nos joelhos
A gordura acumula-se em redor dos joelhos, sobretudo na parte interna, podendo causar desconforto e, nos casos mais avançados, afetar a mobilidade.
Lipedema nos braços
Embora menos frequente, o lipedema afeta os braços em até 30% dos casos, em geral na parte entre o ombro e o cotovelo, também com sensibilidade ao toque.
Acha que tem lipedema?
Marque a sua consulta de lipedema online e avalie o seu caso com a nossa equipa especializada.
É uma patologia frequente?
O lipedema é mais comum do que se pensa, embora continue subdiagnosticado. Os rastreios em medicina geral apontam para uma prevalência em torno de 5% das mulheres, enquanto as revisões da literatura científica estimam que possa afetar até 10–11% da população feminina. Apesar destes números, ainda não é amplamente conhecido pela comunidade médica, mesmo tendo sido reconhecido em maio de 2018 pela OMS como doença na Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Pode consultar esta classificação aqui.
Como se diagnostica o lipedema?
O diagnóstico do lipedema é essencialmente clínico: não existe uma análise ou exame de imagem que confirme a doença por si só. É na lipedema consulta que o especialista, através de uma anamnese detalhada e de um exame físico cuidado (incluindo a palpação), confirma a patologia.
Em caso de dúvida, podem ser pedidos exames complementares — não para confirmar o lipedema, mas para excluir outras causas dos sintomas, como doença venosa ou linfedema.
Por ser uma doença ainda subdiagnosticada, é frequente que pacientes com lipedema sejam erradamente diagnosticadas com obesidade ou com «má circulação». Daí a importância de avaliar o caso com um profissional familiarizado com esta patologia.
Como se trata o lipedema? Tem solução?
Para eliminar as células adiposas doentes, a técnica mais avançada e delicada para os tecidos é a cirurgia de lipedema através da lipoaspiração WAL (Water-Assisted Liposuction), por ser a menos agressiva para o sistema linfático. Esta técnica deve ser realizada por profissionais com ampla experiência. Saiba mais sobre o tratamento desta patologia aqui.
Dedicação exclusiva ao tratamento do lipedema
O Dr. Burgos de la Obra foi o cirurgião pioneiro em dedicar-se exclusivamente ao tratamento desta patologia e é atualmente uma referência entre médicos especialistas em lipedema.
No tratamento do lipedema, a experiência e a dedicação são absolutamente cruciais para obter o melhor resultado possível com o menor risco de complicações.
Contactar a equipa →“O tratamento desta doença deve ser encarado como um problema médico e não como uma condição puramente estética. O lipedema pode e deve ser tratado eficazmente para libertar a paciente dos sintomas e evitar a progressão.
É dever da comunidade médica conhecer esta entidade clínica e contribuir para a sua divulgação.
O que acontece se o lipedema não for tratado?
Por ser uma doença progressiva, o lipedema não tratado tende a agravar-se com o tempo. As principais consequências incluem:
- Aumento da dor e do volume dos membros, com perda progressiva de mobilidade.
- Sobrecarga das articulações, sobretudo dos joelhos e das ancas, que pode levar a alterações posturais.
- Maior risco de problemas circulatórios associados, devido à pressão sobre o sistema venoso.
- Evolução para lipolinfedema nos estágios mais avançados, com retenção de líquidos.
- Impacto crescente na autoestima e no bem-estar emocional.
É por isso que o diagnóstico e o tratamento precoces são tão importantes: travam a progressão e evitam anos de sofrimento desnecessário.
O impacto emocional do lipedema
O lipedema vai muito além da componente física. A desproporção corporal, a dor crónica e a frustração de «viver de dieta» sem ver resultados têm um impacto real na autoestima e no bem-estar emocional das pacientes. Muitas convivem durante anos sem diagnóstico, sentindo-se incompreendidas.
Reconhecer esta dimensão é parte de um tratamento adequado. Saber que se trata de uma doença real, com nome e com solução, é por si só um alívio para muitas mulheres. Um acompanhamento que tenha em conta o lado físico e o lado emocional faz toda a diferença na qualidade de vida.
O que fazer se o seu médico não conhece esta patologia?
Em Lipemedical acreditamos que é fundamental que esta doença seja conhecida por toda a comunidade médica, pois um diagnóstico e tratamento precoce podem limitar significativamente os efeitos do lipedema e evitar anos de frustração.
Documentos científicos que pode fornecer ao seu médico
Com toda esta evidência científica internacional, é inegável que o lipedema é uma patologia médica real, frequentemente subdiagnosticada, que requer a máxima atenção da comunidade médica. Na Lipemedical incentivamos a sua divulgação e reconhecimento.
O lipedema está coberto pelo SNS em Portugal?
Atualmente, embora esteja confirmado que o lipedema é uma doença e não apenas um problema estético, a cobertura pelo SNS é limitada. Por isso, muitas pacientes procuram alternativas no setor privado. Na verdade, muitos médicos ainda não estão atualizados e desconhecem a sua existência e o grande impacto que tem na qualidade de vida das pacientes.
O mais habitual é que o lipedema se manifeste nos membros inferiores, incluindo pernas, ancas e glúteos. No entanto, também é comum afetar os braços. Até 30% dos casos apresentam lipedema em pernas e braços.
Não existe um padrão definido, cada pessoa pode apresentar esta doença numa ou várias zonas, por isso é importante estudar cada caso de forma personalizada, tal como fazemos na Lipemedical.